Anotações sobre o meu processo seletivo para SWE na Stripe, passadas a limpo depois que tudo acabou.
Como você já deve ter imaginado, este artigo não é sobre moer exercícios no LeetCode, programação dinâmica e muito menos sobre, credo, inverter árvores binárias. Não tenho qualificação para aconselhar ninguém nesses assuntos. Agora, como passei pelo processo da Stripe não faz tanto tempo assim, alguma coisa eu sei sobre o formato. Por extensão, acabo de me declarar apto a dar conselhos sobre entrevistas no estilo Stripe.
O texto deve ser especialmente útil para quem vive ouvindo que “a Stripe é diferente”, mas nunca encontra alguém disposto a explicar que diferença é essa.
Vamos lá!
A boa notícia é que fazer entrevista para a Stripe, como qualquer outra habilidade, melhora com prática. Eu precisei de bastante treino até olhar para um código de pagamentos meio quebrado e não me sentir completamente perdido. E ainda estou longe de ser ótimo nisso.
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Try InterviewMan FreeNa última rodada que fiz no CoderPad, por exemplo, a coisa acabou num pequeno desastre. Escrevi uma função toda espertinha na segunda parte e, quando veio a terceira, não havia como estendê-la. Lá fui eu reescrever pedaços do código com o entrevistador acompanhando e eu suando. O erro tinha começado antes: a vontade de terminar logo a primeira parte foi tanta que escolhi esperteza em vez de extensibilidade.
“Mas você sabia que a terceira parte acrescentaria mecanismos de repetição. Por que escolheu esse caminho?”, dá vontade de perguntar. Pois é. Excelente pergunta. Eu estava me preparando sem saber direito o que fazia, e foi dessa confusão que saiu meu primeiro conselho: antes de chutar onde está o bug, leia o código quebrado.
Tem muita gente bem-intencionada recomendando que o candidato decore uma coleção de “padrões comuns de bugs em pagamentos” antes do Bug Bash. A ideia seria bater o olho e reconhecer alguma coisa no segundo minuto. Eu acho bobagem. Se der sorte, você acerta, passa dez minutos satisfeito consigo mesmo e só então percebe que o conserto quebrou outro caminho do código; se não der, usa a hora inteira para defender uma hipótese errada.
No meu caso foram sessenta minutos, com código real da Stripe. Passei os dez primeiros apenas lendo e encontrei o bug perto do minuto trinta e quatro. Ele estava no limite entre a função que validava os dados e o caminho de repetição, que zerava o estado na segunda tentativa sem chamar atenção.
Já na entrevista de Integração, não tem muito mistério sobre uma coisa: você vai ouvir “construa alguma coisa com PaymentIntents”. A chance de não ouvir é precisamente zero. Isso permite preparar a navegação com antecedência. Eu deixaria três páginas na ponta dos dedos:
- A página de PaymentIntents.
- A página de códigos de erro.
- A página de idempotência.
Na hora da entrevista já existe coisa demais para pensar; brigar com um clique coerente não precisa entrar na lista. Abra as três páginas antes, passeie por elas sem pressa e repita até saber o caminho de memória. Parece básico, e é mesmo, só que muita gente deixa de fazer. Praticar com a documentação aberta talvez seja a providência mais fácil dessa preparação. Também é a que mais ajuda o candidato a aparecer bem nessa etapa.
Só nesse caso, bancar o perseguidor é perfeitamente aceitável. Pesquisar o blog de engenharia da Stripe antes da etapa de design de sistemas ajuda por dois motivos. Primeiro, dá uma noção melhor dos problemas distribuídos com que a Stripe realmente se importa e dos pontos em que o entrevistador pode querer se aprofundar. Depois, permite entender melhor o tipo de problema para o qual a empresa contrata.
Na minha entrevista, usamos Whimsical e a questão lembrava bastante um limitador de taxa. A segunda metade da conversa entrou no que acontece quando dois servidores discordam sobre o cliente ter ultrapassado ou não o limite. Os cursos genéricos de design de sistemas me deram os diagramas. O blog de engenharia da Stripe me deu o enquadramento que batia com o que o entrevistador estava de fato investigando.
Uma observação sobre ferramentas, porque me perguntam isso sempre. Usei o InterviewMan nas partes da preparação em que uma sobreposição limitada a código não consegue ajudar. A Stripe não é só CoderPad. Tem voz, vídeo, compartilhamento de tela e etapa comportamental. O Interview Coder 2.0 custa duzentos e noventa e nove dólares por mês e só cuida de código. O InterviewMan custa doze dólares por mês no plano anual, o equivalente a cento e quarenta e quatro dólares por ano.
Cinquenta e sete mil usuários. A nota é 4,8 de 5, calculada a partir de duzentas e cinquenta e sete avaliações. Todos os recursos de discrição estão incluídos. Há suporte para Zoom, Teams, Meet, Chime e Webex. Funciona dentro do HackerRank, CoderPad e Codility. Roda no Windows e macOS, no Android e iOS, além do Chrome. Mesmo assim, depois fiz uma gravação de teste para conferir o dock, a lista de processos e o resultado no lado da gravação do Zoom. Confira sempre.
Se vier uma rejeição, você está apenas um processo mais perto daquele que terminará em oferta. Peça feedback ao recrutador, seja qual for o resultado. Muitas vezes ele será útil. Em outras, a resposta dirá que você chegou muito perto, porém escolheram alguém com uma experiência em fintech só um pouquinho mais diretamente relacionada. Esse tipo de retorno não ajuda tanto, mas ao menos deve servir para mostrar que você está muito, muito perto.
Agora vá buscar essa vaga!
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